Mulher registra BO e relata que foi vítima de racismo em livraria de shopping de João Pessoa


Uma mulher foi vítima de racismo em uma livraria localizada dentro de um shopping, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, na noite desta quarta-feira (2). Um Boletim de Ocorrência foi registrado na mesma noite, na 9ª Delegacia Distrital da Polícia Civil. A arqueóloga diz que foi seguida por um vendedor da loja, além de ter sido constrangida e tratada com hostilidade por ele e por um coordenador do estabelecimento.


O G1 tentou entrar em contato com a Livraria Leitura, para saber qual atitude seria tomada a respeito dos funcionários acusados de racismo, mas as ligações não foram atendidas. Depois, a livraria soltou uma nota em uma rede social, dizendo que repudia e não se omite em nenhum caso de discriminação. Ainda conforme a nota, nenhum de seus funcionários é fiscal da loja ou tem função de fiscalizar clientes.


A vítima relatou que estava dentro do estabelecimento com dois amigos, para comprar um livro, mas acabou desistindo. Assim, foi até a parte de papelaria da loja e começou a olhar algumas canetas. Neste momento, ela diz que percebeu um vendedor da loja seguindo-a e olhando fixamente para ela, vendo se ela ia pegar alguma coisa ou não.


Depois disto, ela abriu a bolsa para pegar o celular, com o objetivo de comparar os preços na internet, quando percebeu que o vendedor se aproximou ainda mais dela, de forma que a deixou tensa. Ela, então, fez o caminho do corredor até o caixa e assim percebeu que o vendedor a seguiu.


A vítima relata ter ficado com medo e pediu para um amigo, que a acompanhava, ver se o homem estava atrás dela. O amigo confirmou. "Eu me senti muito constrangida, com muita envergonhada por aquilo tá acontecendo pleno século 21. Eu fiquei muito tensa. Ele estava me coagindo".


Ela relata ainda que um de seus amigos que a acompanhava, um homem branco, foi bem atendido na loja e ninguém o perseguiu. A vítima tentou reportar o comportamento do vendedor ao coordenador presente no local, junto com seu outro amigo, um homem negro, e eles foram mal tratados.


Segundo a arqueóloga, eles foram levados pelo coordenador para um canto da loja, junto com o vendedor que teve a atitude racista. Ela disse que, durante a conversa, se sentiu ameaçada pela postura agressiva do vendedor, que ficou a olhando de forma que a constrangeu novamente. Depois, o coordenador tentou justificar a atitude do funcionário.


“Ele começou com um discurso. Em dado momento, disse que 'pessoas como vocês estão sujeitos a isso'. Querendo dizer que pessoas como nós, que somos pretas, que somos negras, estamos mais suscetíveis a roubar. Ele concordou com a atitude do vendedor", denunciou a arqueóloga.


Depois disso, a vítima relata que o vendedor se aproximou ainda mais dela e perguntou sobre o que estavam falando. A arqueóloga disse que respondeu que era sobre ele e, então, o vendedor reagiu de forma agressiva, vindo para cima dela e só sendo parado pelo coordenador. “Eu fiquei com muito medo, muito tensa. Todo mundo que estava na loja parou para ver o que estava acontecendo. Fiquei com uma falta de ar horrível e saí da loja".


O caso agora está com a Polícia Civil da Paraíba. Nesta quinta-feira (3), o delegado Pedro Ivo explicou que os policiais vão agora colher depoimentos, buscar imagens de sistema de segurança ou mesmo que tenham sido gravados por testemunhas, e colher as eventuais provas sobre o crime. Caso as denúncias sejam confirmadas, os envolvidos poderão ser indiciados.



G1PB

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